A fotografia e a convergência dos meios de comunicação…

Vale apena ler esse artigo do site Arfoc de São Paulo.

Por José Cordeiro

Audiência maior e o interesse de anunciantes que voltaram a identificar nos sites de informação um bom canal de exposição da marca. Para os grupos de comunicação, o jornalismo visual, a ampliação dos acessos nos portais e a difusão da tecnologia podem reverter a queda de resultados do meio papel. A alteração de plataforma poderá trazer benefícios para as empresas, ao menos para aquelas que entenderem a segmentação da internet.

Podcasts, storytellings, videocasts e infográficos já são complementares aos textos nos portais de notícias. Paralelamente, a fotografia aparece em quantidades maiores que nos jornais, em galerias temáticas e slideshows. Se a tecnologia diversificou a captação e a transmissão do noticiário, a formato digital forjou no público o conceito da gratuidade em contraste com a aquisição no meio impresso. Mudanças que têm impacto direto na rentabilidade das empresas e nas relações de trabalho do jornalista, um profissional que poderá ser visto em breve como “the one man band”.

Nos EUA, onde aproximadamente 70% da população tem acesso à internet (210 milhões usuários – IBOPE/NetRatings), os jornais impressos tem tiragens cada vez menores. As estatísticas recuam desde 2000. Segundo o relatório World Press Trends da World Association of Newspapers (WAN), a queda em 2007 foi de 3,03% para as edições diárias, declínio de 8,05% no período de cinco anos.

As ações dos grupos jornalísticos acumulam perdas consecutivas nos últimos três anos, período turbulento na economia. A boa nova é o aumento discreto da publicidade nos veículos on-line: 5,5% do volume total do bolo nas empresas. O perfil dos acessos é estimulante segundo The Poynter Institute: no ano passado, 7 entre 10 americanos procuraram notícias na Web.

Mantidos os hábitos dos internautas, os recursos multimídia serão os itens mais consultados nos portais noticiosos. Uma estatística da Nielsen Online indica que a preferência dos americanos pelas várias ofertas de vídeo é progressiva: cresceu 5,3% em abril, diante da estabilidade das horas mensais na rede. De acordo com Online Publishers Association, 14% dos usuários de vídeo assistem diariamente o noticiário na internet.

Os grupos de comunicação americanos têm promovido a programação interativa na Web e investido em conteúdo para celular. De forma geral, além de reduzir os quadros das redações, o impresso e o on-lineThe Star Tribune dará aulas de produção de noticiário e entretenimento aos jornalistas neste semestre, segundo World Editors Forum. O objetivo do Star Tribune é que os repórteres também tenham condições de operar câmeras, treinamento básico que já foi aplicado em 2007 aos repórteres-fotográficos.

Essas fronteiras entre off-line e on-line são bem permeáveis e incluem, em certos grupos jornalísticos, as emissoras de televisão. A National Press Photographers Association (NPPA) informou em julho que a Media General Inc. anunciou cortes de pessoal e a integração do departamento fotográfico do jornal Tampa TribuneWFLA-TV, com a possível redução de cargos na televisão em poucas semanas.

Para a NPPA, que têm apontado o quadro crítico de demissões e a incerteza quanto ao futuro do fotojornalismo, é preocupante a tendência à multiplicação do “backpack journalist” (jornalista de mochila) que acumula a captação de imagens, produção de textos e outras funções, ocupando vagas destinadas a duas ou três pessoas nas redações. As contratações poderão ignorar quem só fotografa em benefício de “backpacks”, estimam os fotógrafos associados.

No Brasil

Os números da imprensa são diferentes no Brasil, por conta do gênero dos veículos e do aquecimento atual da economia, principalmente do segmento anunciante de varejo. Os dados para o meio impresso são positivos e seguem em recuperação, de acordo com estimativa da Associação Nacional de Jornais (ANJ), elaborada sobre informações do Instituto Verificador de Circulação (IVC). Em 2007, a circulação média diária foi de 4.14 milhões de exemplares ou 11,8% maior que a do ano anterior. Nesse período, outro índice seguiu em alta, o de participação dos jornais, com 16,38% no mercado publicitário do país.  A internet recebeu 3,2% (Interactive Advertising Bureau – Brasil) do total.

A quantidade de usuários na rede também aumenta; no primeiro trimestre já são 41,5 milhões de brasileiros (IBOPE/NetRatings) com acesso à internet, seja do trabalho, de casa ou de lan-houses. Em 2007, os internautas daqui buscaram comunicação, lazer e informações on-line (87%), de acordo com Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação – CETIC.br. Segundo a entidade, para esse usuário, a “principal atividade de lazer é ler jornais / revistas (47%), seguida por jogar ou fazer ‘download de jogos’ (43%) e ‘assistir filmes ou vídeos’ utilizando sites como o You Tube (43%)”.

As versões impressas dos jornais vão para o suporte on-line, com direito a alguma “suíte” na Web e acessos seletivos ou abertos. Os três maiores portais de informação: UOL, G1  e Estadão têm plataforma multimídia com vídeos, áudios e fotogalerias. Além de “streamings” de entrevistas, análises e prestação de serviços, dois portais oferecem noticiários da televisão, de emissoras parceiras ou programação do próprio grupo.

As coberturas em vídeo apresentam temas descolados do hardnews e são produzidas por pequenas equipes: repórteres, cinegrafistas e estagiários. Existe alguma integração entre o off-line e on-line nessas empresas, embora os sintomas “internacionais” da convergência não sejam tão desenvolvidos. Algumas matérias são encomendadas com mais de uma plataforma aos jornalistas. O Globo Online, tem treinamento em câmera de vídeo, que é oferecido a alguns repórteres para a produção independente de matérias.

No recém-lançado livro “O Destino do Jornal”, Lourival Sant’Anna narra a história recente da Folha de S.Paulo, de O Globo e de O Estado de S.Paulo, e o impasse sobre o meio que garantirá a rentabilidade dos negócios. Os diretores desses veículos vêem no on-line uma forma de reduzir os custos de impressão e distribuição, mas não definiram um projeto de transição. Segundo os depoimentos, ainda não existem elementos que respondam a essa questão.

Voltando ao mercado americano, o efeito dessa migração ampliou a crise em várias empresas jornalísticas. No último dia 2, ao comunicar o corte de 150 vagas nas redações do Los Angeles Times, o editor Russ Stanton explicou o descompasso nos negócios: “Vocês conhecem o paradoxo em que estamos: Graças à Internet, temos mais leitores para o nosso grande jornalismo do que em qualquer momento de nossa história. Mas, também graças à Internet, nossos anunciantes têm mais escolhas e nós temos menos dinheiro”.

A descontinuidade do jornal impresso poderá vir em breve, de acordo com Nicholas Negroponte, diretor do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT- EUA) ouvido para “O Destino do Jornal”. Negroponte utilizou a aposentadoria das câmeras de filme como analogia para o fim do jornal sobre papel, estimado entre cinco e dez anos: “Sabíamos, vinte anos atrás, que o filme ia acabar. Vocês não usam mais câmeras de filme. O que não podíamos dizer era quando isso realmente aconteceria, de maneira que haveria câmeras digitais e computadores em número suficiente para que a imprensa os usasse. A mesma coisa acontecerá com o papel”.

Produzir simultaneamente para várias plataformas não é uma tarefa que possa ser realizada sem perdas na apuração, na reportagem e no âmbito profissional. O presidente da Arfoc-SP Paulo Whitaker aponta os problemas dessa política de acumulação de funções: ” Tenho acompanhado empresas nos EUA que já trabalham dessa maneira, aliás e uma exigência ter estas qualificações para poder trabalhar na determinada empresa. Acho uma confusão muito grande uma só pessoa poder produzir essas mídias todas ao mesmo tempo durante uma reportagem, alias acho impossível fazer isso com qualidade. Infelizmente qualidade não tem sido a preocupação maior das empresas que adotam essas medidas, na verdade elas só se preocupam com o  dinheiro”.

“Quando você pega muitas coisas, você não está fazendo bem nenhuma”, avalia Ramón Salaverría, diretor do Laboratório de Comunicação Multimídia e professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra (Espanha): “Essa idéia de backpack journalist eu acho que só serve para determinado tipo muito especifico de jornalista, como por exemplo os correspondentes em uma guerra, com esse tipo de perfil. Ai sim, backpack journalist é uma coisa obrigatória, porque você trabalha sozinho, precisa de tudo. Em nossos ambientes atuais de jornalismo, para 98 ou 99% dos jornalistas, este tipo de trabalho não funciona. Multimídias são as redações, não os jornalistas.”

Para Lourival Sant’Anna este tipo de aproveitamento das equipes também afeta o noticiário que será entregue ao público. “O único receio que eu tenho é dessa tendência a querer aproveitar o mesmo profissional para fazer meios diferentes, então o fotógrafo é muito diferente do cinegrafista e da pessoa de texto e da pessoa de som e acho que um meio profissional precisa de ter um profissional para cada coisa”.

A velocidade das mudanças poderá variar, segundo a resposta que os anunciantes derem ao on-line. Entretanto, várias etapas coerentes da evolução – capacitação, equipes distintas para cada tipo de atuação – poderão ser queimadas se não existirem investimentos. Os episódios anedóticos dos tempos da “bolha” da internet, em que repórteres tentavam equilibrar anotações, mudar os disquetes nas câmeras digitais e passar boletins pelo telefone celular poderão voltar com outros atores, caso a prosperidade econômica atual seja uma experiência passageira e o pesquisador do MIT Negroponte acertar em sua previsão.

Suportes para a fotografia
A convergência das mídias para o repórter-fotográfico começará pela habilidade em contar histórias, sem as limitações da diagramação e do papel. “A fotografia tem um grande futuro na multimídia. A prova disso é que um dos produtos que tem mais sucesso na internet, nos jornais são as galerias fotográficas, muitas delas com áudio, são as galerias fotonarrativas”.

A avaliação é de Alberto Cairo, jornalista e professor de infografia na University of North Carolina (EUA) e colaborador em projetos do New York Times, que esteve em São Paulo para um curso destinado a editores de jornais. Docente de uma área que interage com vários gêneros de informação, Alberto índica aos fotojornalistas a necessidade do conhecimento das técnicas de áudio e vídeo, que devem ser vistas como complementares às edições fotográficas.

“Usar as fotografias para contar histórias implica que o jornalista também compreenda a linguagem do áudio, tenha conhecimento de como fazer uma entrevista, de forma que o fotojornalista se transforme num repórter-visual para poder contar histórias, para poder narrar histórias pessoais de pessoas que moram num lugar”, exemplifica Alberto.

Esta mesma diretriz vale para o vídeo na internet: “certos conhecimentos de fotojornalismo levam você a fazer melhor vídeo e vice-versa. São linguagens diferentes, mas complementares. Tem que ser compreendido para o trabalho do fotojornalista que, diferentes classes de histórias, de diferentes naturezas, têm que ser contadas de jeitos diferentes, usando ferramentas diferentes. O vídeo é adequado para algumas histórias, o fotojornalismo é adequado para outras”.

A criação autoral nesses projetos também é destacada por Paulo Whitaker: “Algumas reportagens que tenho visto são de iniciativa total dos repórteres-fotográficos, que as fazem com autonomia”. Exemplos de narrativas são os vídeos podcasts, no site da Magnum Photos, vídeos na VII Photo Agency e multimídia photos no New York Times. Como nem tudo é notícia ruim que envolve o Los Angeles Times, uma história multimídia bem contada e ao mesmo tempo polêmica é produção do fotojornalista Luis Sinco: The Marlboro Marine, sobre os efeitos que o status involuntário de “símbolo nacional” pode causar a um jovem.

Serviço
Livro: “O Destino do Jornal: a Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo”, de Lourival Sant’Anna, Editora Record, 2008.
Multimídia:
Los Angeles Times: The Marlboro Marine: http://www.latimes.com/news/nationworld/nation/marlboromarine/
Magnum Photos: http://inmotion.magnumphotos.com/podcasts
The New York Times: http://www.nytimes.com/pages/multimedia/index.html estão sendo integrados nas empresas. Para ampliar o leque de opções, à emissora

VII Photo Agency: http://www.viiphoto.com/video.php

About these ads

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Gislaine
    ago 07, 2008 @ 06:48:50

    Passagem de rotina e so p/ te lembrar do livro, aquele do qual falamos. Se vc puder deixar c/ o Du, eu agradeço e já devolvo na sexta.
    see you,thanks.

    Responder

  2. jeferson
    fev 08, 2009 @ 00:11:40

    pro que os fotógrafos nao usao um meio de comunicao para quando tiver trabalhando com o ceu iluminador falar com ele cem ser atraves de cinas de maio eu trabalho com o fotógrafo e sou iluminador quero que o fotógrafo aceite essa proposta se gostaram da minha ideia entre no meu bog http://wwwcolegioinacioitabuna.blogspot.com/e dexe o seu recado obrigado

    Responder

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s