Telenovelas “não mudam as pessoas”…

Afirma Silvio de Abreu …


As telenovelas são capazes de criar modismos e provocar debates, disse nesta quarta-feira (6) o autor Sílvio de Abreu, durante audiência pública promovida pela Comissão de Educação (CE). Mas agem apenas de forma superficial sobre os telespectadores e não têm o poder, na sua opinião, de “mudar as pessoas”.
– Os exemplos que mudam a cabeça do público são os exemplos do próprio país, da sociedade em que vivemos. Quando o público toma conhecimento de uma série de escândalos, vai-se criando uma imagem torta do que sejam a moral e a ética – afirmou Sílvio de Abreu, funcionário há 29 anos da Rede Globo e autor da telenovela Belíssima.Foi uma entrevista concedida por Sílvio de Abreu à revista Veja, no ano passado, que motivou o senador Pedro Simon (PMDB-RS) a sugerir a realização da audiência pública a respeito do tema Influência da Televisão na Formação e na Estruturação dos Valores Éticos, Morais e de Cidadania em Nossa Sociedade.Na entrevista, o autor revelou uma mudança no perfil do público, que teria passado a admitir comportamentos antes eticamente reprováveis. Durante a audiência, ele citou o caso de uma dona de casa – entrevistada por pesquisa da Globo – que teria recomendado à empresária interpretada pela atriz Glória Pires “dar um mensalão” a cada funcionário para obter maior controle da firma.

A mudança de comportamento do público, como lembrou Simon a partir da entrevista, teria ocorrido ao longo dos últimos cinco anos. Até recentemente, observou, ao final de cada novela “o mocinho ficava com a mocinha” e o “bandido ia para a cadeia”. Atualmente, comparou o senador, muitos telespectadores aplaudem quando uma mulher troca o marido correto por um outro homem sem escrúpulos.– Tudo isso ocorre em um país onde apenas o ladrão de galinha vai para a cadeia. A corrupção está influenciando a sociedade brasileira e mudando hábitos – constatou Simon.Ao contrário de Sílvio de Abreu, para quem a novela age de forma apenas superficial sobre a formação dos espectadores, o presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária, Gabriel Priolli, considera “central” a influência da televisão. Se a moral brasileira está “torta”, disse ele, a responsabilidade da televisão não seria pequena.– Se existe hoje um comportamento ambíguo do público, isto não teria relação com uma certa glamourização dos personagens sem caráter? – questionou Priolli.Também convidado para a audiência, o professor de Filosofia Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembrou que a responsabilidade sobre a transmissão de valores ao público não pode ser atribuída apenas às telenovelas. Também precisam ser avaliados, a seu ver, os efeitos da propaganda e do merchandising.


A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) felicitou Sílvio de Abreu por incluir nas telenovelas o debate de temas como as drogas, o alcoolismo e a corrupção. Mas lembrou a influência da televisão sobre as crianças e pediu que a televisão “colabore para a formação moral e ética dos futuros cidadãos”.
A grande exposição das crianças à televisão também foi lembrada pelo senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), para quem seria importante se discutir que tipo de conteúdo a sociedade brasileira gostaria de ver na TV. O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) criticou o Senado por não avaliar se as concessões de emissoras atendem a princípios constitucionais como o de privilegiar a educação e a cultura.Para o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), a televisão tem adquirido um papel cada vez maior na formação da sociedade à medida que muitos telespectadores, “por insegurança”, preferem ficar em casa e assistir às novelas. Ao final, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) manifestou preocupação com o choque cultural provocado pelas novelas, que levariam a liberal “cultura do Leblon” a pequenas cidades do interior do país. A audiência foi presidida pelos senadores Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Marco Maciel (DEM-PE)

agência senado

Publicado em: Tele

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